quarta-feira, 9 de março de 2016





SÉRIE C 2005

 Muitos lembram do ano de 2005, principalmente a torcida Azulina. Entretanto, tivemos outro grande destaque futebolístico naquele ano, o Abaeté Futebol Clube. A equipe da cidade de Abaetetuba (distante 121 km da capital Belém), realizou uma grande campanha na Série C do Brasileirão e foi eliminada apenas na 3ª fase, justamente para a equipe que viria a se tornar campeã, o Clube do Remo.
A Série C de 2005, foi disputada por 63 times de todo o país. Os times foram divididos em 16 grupos (regionalizados) ficando assim o grupo 1 com três times e os demais com quatro equipes. Após a 1ª fase de grupos, a competição teve mais três fases de mata-mata e por fim o quadrangular final, que decidiu os dois times que subiram à Série B. O Abaeté foi colocado no grupo 3, junto com o Remo-AP, São José-AP e São Raimundo-RR. Grupo, teoricamente, acessível para conseguir uma das duas vagas à segunda fase. A equipe mandou seus jogos na sua própria cidade, no estádio Humberto Parente (foto) que tem capacidade para 3.100 pessoas.








A formação da equipe manteve a tradição das equipes que não desfrutam de muitos recursos, ou seja, composta por jogadores locais. Destaques para os zagueiros Charles e Marabá e os meias Marçal e Rogério Belém. O comandante da equipe era o competente treinador Samuel Cândido. Com a sua base formada era esperado que a equipe até avançasse à segunda fase, mas chegar na terceira fase e fazer dois jogos duríssimos contra o Remo ninguém contava, exceto a metade vermelha de Abaetetuba e seus jogadores.

1ª FASE
  
A estreia foi em Abaetetuba contra o São José-AP, em um jogo controlado pelo Abaeté a equipe saiu vitoriosa, 2 x 0 foi o placar final. Na segunda rodada a equipe viajou até a capital paraense para realizar o jogo mais difícil da fase de grupos, contra o Remo no Mangueirão. Apesar da boa partida a equipe saiu derrotada de campo por 2 x 1. A equipe se recuperou da derrota logo na rodada seguinte ao vencer o São Raimundo-RR por 2 x 1, em Boa Vista. Uma semana após o jogo, as equipes se enfrentaram novamente e o Abaeté não desperdiçou a chance de se aproximar da classificação, venceu os roraimenses por 2 x 0, em Abaeté. Na penúltima rodada, a equipe enfrentou o Remo no Mangueirão. O jogo foi em Belém mesmo o mandante da partida ter sido o Abaeté, motivo? Arrecadar mais com a bilheteria do jogo. Apesar de saber das dificuldades financeiras dos clubes, nunca concordei com a venda de mando de campo ou mandar o jogo em outro local para atender a interesses que não são de sua torcida, que gosta de ver seu time jogando em sua casa. Porém, o jogo foi realizado em Belém e o time perdeu por 2 x 1. Se o confronto tivesse sido no Humberto Parente o resultado poderia ter sido diferente, não é mesmo? Após as cinco primeiras rodadas o Abaeté chegou na sexta, e última rodada, já classificado à segunda fase. A equipe viajou até Macapá e trouxe um empate (1 x 1) contra o São José-AP. Sendo assim os Diabos Vermelhos do Pará estavam no mata-mata.

2ª FASE
 
A segunda colocação na fase de grupos, determinou que o Abaeté enfrentasse o tradicional Moto Club-MA que havia se classificado em primeiro lugar no grupo 4. No primeiro jogo, a equipe jogou bem e fez a alegria do seu torcedor ao vencer por 1 x 0. No jogo da volta, no Nhozinho Santos, a equipe jogou fechada e tentava explorar os contra ataques. Porém, em um lance crucial da partida sofreu um gol e teve que decidir sua classificação nas cobranças de pênaltis. Com muita eficiência nas cobranças (100% de aproveitamento) o Abaeté aproveitou um erro em um penal batido pela equipe maranhense e comemorou a sua classificação na terra do Reggae.

3ª FASE - CLÁSSICO CONTRA O REMO
 
Alegria na agradável cidade interiorana do Pará. Os sonhos aumentavam e os jogadores estavam envolvidos nesse clima. Porém, agora o adversário será o temível Clube do Remo, clube o qual havia batido o Abaeté nas duas oportunidades em que se enfrentaram. Assim como ocorreu na primeira fase os dois jogos foram disputados no Mangueirão. A primeira partida demonstrou o quanto equilibrado seria esse confronto entre as equipes paraenses. Tanto equilíbrio resultou em um empate em 1 x 1. Contudo o Abaeté saiu vitorioso no caixa, mais de 40 mil pessoas compraram ingresso para assistir ao confronto. O segundo jogo foi um teste para cardíaco, termo muito bem apropriado para o herói Azulino Marquinhos "Coração de Leão" que naquele mesmo ano, enquanto estava no Santa Cruz-PE, foi diagnosticado com problemas cardíaco e deixou o clube. O Remo saiu na frente com o gol de cabeça do atacante Capitão. Logo em seguida, Souza empatava em uma linda cobrança de falta. O primeiro tempo terminou com o mesmo placar que havia terminado o primeiro jogo (1 x 1). Com esse resultado o jogo iria para as cobranças de pênaltis. Porém, nenhuma das duas equipes deixou de atacar e o segundo tempo foi incrível. Em outra cobrança perfeita de falta, dessa vez para o lado do Remo, o placar foi alterado, Maurílio fazia 2 x 1 para o Leão. Os Diabos Vermelhos não se entregaram e persistiram rumo ao empate. Em uma roubada de bola no meio campo, o Abaeté partiu ao contra ataque e a cria da base Azulina, Rogério Belém, empatou o jogo em uma ótima finalização, dentro da área. O jogo estava empatado em 2 x 2 e a expectativa dos pênaltis eram enormes. Até o lateral Marquinhos Belém, aquele mesmo o "Coração de Leão", soltar um "foguete" com o pé direito e em uma cobrança de falta fez a bola encontrar as redes do goleiro André Luiz. O Remo fazia 3 x 2 e o jogo permaneceu com o resultado inalterado até o fim.
Era o fim da campanha do Abaeté Futebol Clube na Série C, mas a equipe saía da competição com a cabeça erguida de ter feito o melhor e seus torcedores e a cidade de Abaetetuba estavam orgulhosos. Porém, uma dúvida pairava no ar. E se o primeiro jogo contra o Remo, na terceira fase, tivesse sido no Humberto Parente?

FICHA TÉCNICA (REMO x ABAETÉ)

Remo:  Rafael; Magrão, Carlinhos, Sérgio; Marquinhos, Serginho, Paulista, Emerson, Victor Boleta; Capitão e Maurílio.

Técnico: Roberval Davino

Abaeté:  André Luiz, América, Irituia, João Gomes, Fágner; Emílson, Marabá, Marçal, Márcio Parintins; Gauchinho e Ivan.

Técnico: Samuel Cândido

OS GOLS DE REMO 3 x 2 ABAETÉ


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