sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Entrevista com o promissor treinador João Paulo Santos



Nenhum torcedor paraense deve ter escutado o nome do treinador João Paulo Loureiro Santos, 27, mas também não era esperado o contrário. João Paulo Santos estreará como treinador profissional no comando do Carajás na disputa da "segundinha" paraense. Apesar da falta de experiência o jovem e promissor treinador já realizou alguns trabalhos no futebol. Foi treinador do time de futebol de salão da Tuna, preparador físico do time sub-20 de futebol profissional também da Tuna, preparador físico e auxiliar técnico do Paragominas no Campeonato Paraense de 2015 e treinador do sub-17 do Carajás. Podemos dizer que João Paulo Santos faz parte da nova safra de treinadores brasileiros que são estudiosos de futebol e observam o esporte como uma ciência. O curso de Formação de Treinador da CBF (licença C) e o curso da ATFA (Associação de Treinadores do Futebol Argentino) apenas comprovam que o treinador quer se adequar a nova realidade do futebol mundial e se preocupa com a sua carreira e o desenvolvimento do seu trabalho. Tudo isso chamou a atenção do blog "FUTEBOL PARAENSE" e convidamos o técnico João Paulo Santos para fazermos uma entrevista. Ele topou e agora vocês poderão conhecer mais sobre o profissional e o seu trabalho a frente do Carajás.



1 - FUTEBOL PARAENSE: O Carajás é a sua primeira experiência como treinador profissional. Como você está lidando com isso? Está se sentindo pressionado?

JOÃO PAULO SANTOS: Estou muito seguro em exercer essa função, sinto-me preparado. Estou recebendo total apoio do clube e bastante autonomia para desenvolver o meu trabalho. A pressão é normal mas faz parte da nossa rotina. 

2 - F.P.: O ex-presidente do Paysandu Luiz Omar Pinheiro é um dos mandatários do clube. Como é a sua relação com o dirigente? Você está recebendo apoio suficiente (tanto humano quanto de estrutura) para realizar um bom trabalho?

J.P.S.: Nossa relação é a melhor possível, admiro muito o Luiz como pessoa e como profissional pois é um "cara" muito inteligente e visionário, sem dúvida é o melhor gestor com que trabalhei, O apoio humano está muito bom, as contratações foram pontuais e decididas em reuniões. Já a questão da estrutura física creio que dos times que vão disputar a "segundinha" seja a melhor.

3 - F.P.: Você é um profissional que também trabalha com jogadores das categorias de base. Porque os times paraenses não revelam tantos bons jogadores a nível nacional? O que falta para que nossos clubes revelem esses jogadores com mais frequência? 

J.P.S.: É um assunto muito complexo e não posso falar o que acontece nos outros clubes, mas para formarmos jogadores com qualidade temos que ter formadores qualificados e estrutura para isso, algo que o Carajás está preocupado. Também temos que refletir sobre a continuidade do trabalho. Para um atleta chegar a um alto nível é preciso que passe pelas fases de formação, isso dura em média 10 anos (cerca de 10 mil horas de treinamento). Também precisamos evoluir no calendário, temos que ter mais campeonatos com datas definidas, pois a competição faz parte do processo de formação profissional de um atleta. Vejo também que falta paciência em acreditar no atleta da base durante o período de transição entre a base e o profissional, isso gera tempo e um bom trabalho psicológico.

4 - F.P.: Qual será a base do Carajás para a disputa da "Segundinha"? O time terá mais jogadores de base ou jogadores experientes?

J.P.S.: O Carajás vem com um time jovem, muitos atletas estavam no sub-20, mas também temos atletas experientes como o goleiro Evandro "Gigante" e o atacante Daniel "Papaléguas". 

5 - F.P.: Quando está acompanhando um jogo de futebol, pela televisão ou no campo, em que você mais se atenta?

J.P.S.: Sempre me atento aos princípios da equipe, busco analisar as fases do jogo e as manobras ofensivas. Não consigo ser mais torcedor, pois sempre busco um olhar científico quando vejo a uma partida.

6 - F.P.: É comum, e de longa data, que muitos treinadores acabam não tendo continuidade nos clubes que dirigem devido a problemas de relacionamentos com alguns jogadores. Como você pretende lidar com essa questão?

J.P.S.: Isso é uma questão de liderança, sempre procuro servir os atletas e os colaboradores do clube. Não sou autoritário, procuro ouvir os jogadores e manter um bom diálogo com eles. A unidade de trabalho é um grande princípio para o sucesso.

7 - F.P.: Atualmente temos alguns trabalhos de treinadores (como o Arsene Wenger, no Arsenal) que a diretoria aposta no planejamento do profissional mesmo que o clube não venha a conquistar um título relevante por algum tempo (o Arsenal, por exemplo, está há mais de 10 anos sem uma grande conquista sob o comando do francês). Esse fato é algo inimaginável nos grandes clubes brasileiros. Como você avalia essa situação? Você considera que os clubes brasileiros acabam se precipitando em demitir um treinador ou você considera que o clube está certo em demiti-lo se o resultado positivo não vier?

J.P.S.: A continuidade do trabalho é algo primordial para o crescimento do clube. O erro de muitos clubes é demitir o treinador de forma precipitada, temos grandes exemplos de que continuidade do trabalho leva ao sucesso. O caso mais recente que temos foi o da seleção alemã campeã da Copa do Mundo 2014. Também temos o exemplo do trabalho do Tite com o Corinthians que resultou no título mundial para o clube paulista. Quanto maior for o tempo de trabalho de um treinador em um clube, melhor será para implementar a sua filosofia de trabalho e o seu modelo de jogo. Sobre o Arsene Wenger (treinador do Arsenal) creio que está deixando um legado no clube e acima de tudo uma identidade no clube inglês.

8 - F.P.: Atualmente muitos treinadores (até os mais renomados) se espelham no treinador do Manchester City, Pep Guardiola, pois acreditam que ele inovou a maneira de jogar futebol. É de conhecimento de todos que o treinador Pep Guardiola realizou, e ainda realiza, diversos estudos na área e se preparou no nível que alcançou. Você também tem estudado bastante sobre futebol e realizou o curso de formação de treinador de futebol (licença C) da CBF e atualmente faz um curso de treinador pela A.T.F.A. Como você avalia esses cursos na sua vida profissional? Acredita que poderá colocar toda a teoria que aprendeu na prática?

J.P.S.: O conhecimento liberta a pessoa, mas creio que acima do conhecimento o profissional tem que ter visão.  O curso da ATFA é sensacional e passaram grandes treinadores por lá, como o Jorge Samapaoli (treinador do Sevilha-ESP), Marcelo Bielsa, Edgardo Bauza (treinador da seleção argentina), Diego Simeone (treinador do Atlético de Madrid-ESP), entre outros fenômenos. Esse curso está ampliando a minha visão de futebol. Futebol é ciência e também arte, quando falo em arte me refiro na capacidade de operacionalizar um treinamento, então quanto mais conhecimento temos melhor e mais fácil fica o trabalho. A ciência e a tecnologia evoluíram e assim está o futebol. O futebol é um fenômeno complexo em constante evolução, Pep Guardiola tem essa visão e quando treinou o Bayern de Munique fez com que a equipe alemã jogasse de maneira diferente da equipe que treinou anteriormente, o Barcelona. Agora no Manchester City, Guardiola vem surpreendendo ao fazer a sua equipe a marcar em zona baixa. São modelos de jogos diferentes que ao meu vero Guardiola é um gênio, mas também admiro Mourinho, Simeone e Bielsa.
Nem todo o conhecimento conseguimos colocar em prática devido a complexidade do esporte, porém quanto for maior o conhecimento melhor será a operacionalização do trabalho. 

9 - F.P.: Qual o treinador que você mais admira na atualidade. Porque?

J.P.S.: Admiro vários, como mencionei na última pergunta, porém tenho a minha própria identidade. 

10 - Como você se define como treinador?

J.P.S.: Difícil essa pergunta (risos). Um treinador moderno que procura acompanhar a evolução do jogo e vai buscar sempre as vitórias com um jogo ofensivo. 

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