quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Entrevista com o técnico tunante Charles Gatinho

A Tuna Luso Brasileira há muito tempo não consegue ser a potência que sempre foi no nosso futebol. A última alegria dos Cruzmaltinos foi a conquista do primeiro turno do Campeonato Paraense 2007. Muito pouco para um clube que é bi-campeão brasileiro. Após esses anos estagnada e afundada na segunda divisão estadual, a diretoria Tunante parece realizar um trabalho diferente esse ano e o investimento no futebol parece ter voltado.

Para comandar o time nesse projeto, a direção contratou o desconhecido Raimundo Charles Gatinho, 55, para ser o comandante técnico. Muitos podem se enganar em pensar que o treinador (que é paraense de Bragança) caiu de paraquedas no Souza, mas Gatinho tem um excelente currículo fora do país e trabalhou em países como a França, Inglaterra, Estados Unidos e Porto Rico. No país caribenho inclusive comandou a seleção principal nas Eliminatórias para a Copa do Mundo 2002, a seleção nacional feminina e a seleção de base. Além dessas experiências profissionais, podemos considerar que o treinador é um estudioso do futebol. Charles é doutorando na área de Educação Física e possui licença "A" do curso de treinador da CBF. 

                          (Charles Gatinho durante o curso da de treinador licença "A" da CBF)

Para quem gosta de futebol conversar com o Charles Gatinho é ter certeza de um bate papo muito bom e que sem perceber você acaba se envolvendo nas histórias contatas pelo treinador. Afinal, como não se interessar em conversar com um profissional dessa experiência?! O "FUTEBOL PARAENSE" se interessou e fez uma entrevista muito legal com o novo comandante Cruzmaltino. Agora conheçam um pouco mais do técnico Charles Gatinho.

1 - FUTEBOL PARAENSE: Você iniciou a sua carreira na França e depois trabalhou na Inglaterra, nos Estados Unidos e em Porto Rico. Como surgiu o convite para trabalhar no exterior? O que você acredita trazer de positivo dessas experiências para ajudar a colocar a Tuna Luso na elite do estadual?


CHARLES GATINHO: Sim, iniciei a minha carreira de treinador na França. Tinha um amigo que trabalhava como treinador e fui contratado para ir jogar lá no time do SET, da terceira divisão nacional. Durante os dois primeiros anos como jogador comecei a me preparar também para ser treinador, fiz alguns cursos e logo depois o treinador saiu e me deixou no comando da equipe. Com o meu comando a equipe conquistou um campeonato e um vice. Logo apareceu outro convite para ir para a Inglaterra para trabalhar como auxiliar do mesmo amigo que havia me levada à França. Porém, não me adaptei e surgiu um outro convite para ir para os Estados Unidos.  Ao chegar nos Estados Unidos segui estudando enquanto trabalhava, o foco era fazer faculdade e assim o fiz. Terminei o bacharelado e logo em seguida fiz o mestrado em Educação Física até seguir para o doutorado no qual ainda não conclui devido a minha carga de trabalho. Também segui fazendo cursos, tirei a minha licença lá e em seguida vim fazer o curso da CBF no qual tenho a licença "A". Acredito que a minha experiência de trabalho, tanto nos clubes quanto nas seleções, mais a formação que me credencia como treinador de alto nível são requisitos que com certeza vão levar a Tuna novamente à elite do futebol paraense. Além do mais tenho experiência em três Eliminatórias a nível CFU (União de Futebol do Caribe) e CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), onde consegui classificar em duas ocasiões à uma segunda fase, algo inédito para Porto Rico.


2 - F.P.: Em Porto Rico você construiu uma bela história. Além de comandar quatro clubes locais (San Juan Sporting, Atleticos San Juan, Fluminense e PR United) você também dirigiu a seleção principal masculino e feminina além da seleção sub-20. Como você avalia o seu trabalho desenvolvido no país caribenho? Poderia nos dizer a realidade do futebol de Porto Rico e quais foram as suas maiores dificuldades?


C.G.: Como comentei anteriormente, classifiquei em duas ocasiões à uma segunda fase (das Eliminatórias) tanto a seleção principal masculino quanto a seleção feminina. Isso dá crédito ao meu trabalho realizado lá. O futebol de Porto Rico está em crescimento constante, tanto que no momento é o esporte com o maior desenvolvimento no país e o trabalho que lá realizamos é o mesmo que se realiza na Europa. Pode não ter ainda um nível alto, mas é estruturado. Quanto a forma de trabalhar, no meu caso, procuro fazer um balanço daquilo que eu vejo que é importante do tipo de trabalho de lá e eu utilizo com algumas coisas daqui. Isso está sendo muito positivo e aceito pelos jogadores. Procuro fazer o jogador entender a importância disso ou daquilo para benefício próprio, assim como do coletivo (equipe).



3 - F.P.: Qual o motivo de voltar ao Brasil e por que iniciar a sua trajetória profissional no Brasil na Tuna Luso? Como surgiu o convite?


C.G.: O motivo de querer voltar ao Brasil foi em primeiro lugar a minha família, pois tenho meus filhos, irmãos, sobrinhos e tios todos morando aqui e é muito difícil conviver com essa distância e ter que vir constantemente para visitá-los. Em segundo lugar tenho residência aqui e isso facilita muita coisa. Em terceiro lugar fiz uma promessa comigo mesmo que voltaria (ao Brasil) e gostaria de trabalhar em um dos três maiores clubes do Pará e a Tuna me deu essa oportunidade.



4 - F.P.: A Tuna Luso está estagnada há alguns anos na segunda divisão estadual. Mesmo assim possui uma torcida fiel e exigente que sempre acompanha a equipe. Pesando na hipótese de subir à elite do estadual, você considera que está recebendo apoio suficiente da diretoria Cruzmaltina? Como está sendo realizada a montagem do elenco? 


C.G.: Sou conhecedor de tudo relacionado a Tuna e estou consciente que temos que trabalhar muito, mas por isso mesmo eu vim para mudar a "cara" da Tuna. A diretoria da Tuna está me dando total apoio e carta branca para eu atuar da maneira que eu entenda que seja melhor e isso estamos fazendo, buscando conseguir formar o melhor plantel para conseguir os nossos objetivos. Estou determinado a subir com a Tuna e portanto trabalharei incansavelmente para que isso aconteça. 



5 - F.P.: A Tuna Luso sempre foi conhecido por ser a "fábrica de talentos" do Pará. Como você avalia a situação atual da base Tunante? Vai aproveitar alguns jogadores na equipe principal? 


C.G.: A base da Tuna tem excelentes jogadores e vem realizando um bom trabalho, só que precisa de apoio e estrutura para melhorar a condição do trabalho. Falta um pouco de carinho ali. Ao chegar no clube subi 11 jogadores para avaliar no profissional, sendo que ficaram cinco que ficaram cinco que atualmente fazem parte do elenco profissional e que estão assinando contrato, como é o caso do Ruan (Formiga) que foi o primeiro deles. 



6 - F.P.: O que você projeta para a sua vida profissional aqui no Brasil? Pensa em dar sequencia ao seu trabalho ou voltar ao exterior?


C.G.: Na verdade eu vim pensando em ficar trabalhando no futebol brasileiro, se der tudo certo e Deus assim permitir ficarei.


7 - F.P.: Quais as diferenças em comandar uma equipe brasileira e uma equipe estrangeira?

C.G.: A diferença mais relevante é tentar mudar a mentalidade dos jogadores que nunca tiveram experiências fora do Brasil, como por exemplo fazer os atacantes marcarem (risos). Mas graças a Deus estamos conseguindo e como falei anteriormente, convencê-los do porquê e para que devem fazer. 


8 - F.P.: Deixe uma mensagem aos torcedores Cruzmaltinos.

C.G.: Que apoiem, que comparecem aos jogos e que torçam porque a Tuna vai voltar esse ano para a elite do futebol paraense.









Um comentário: